Opinião

Por ser um folhetim com cara de folhetim, “A Força do Querer” é sucesso de audiência e crítica

Após escrever quatro produções seguidas retratando países do exterior, a autora Glória Perez optou por fazer dessa vez uma trama genuinamente brasileira, até no sotaque, valorizando uma das nossas regiões mais incríveis do país, o norte e nordeste, e esse é apenas um dos inúmeros motivos que fazem a novela ser o grande sucesso que é atualmente, batendo recordes atrás de recordes na audiência. “A Força do Querer”, atualmente acumula o melhor resultado do horário desde “Amor à Vida”, exibida em 2013, disparou os índices da faixa, que há muito tempo só ultrapassa os 30 pontos na reta final da história.

História, é isso que “A Força do Querer” tem, muita história para contar, é o drama da mulher traída, é a policial honesta na captura do vilão, e paralelo a isso, o seu diverto relacionamento, é a nordestina arretada, sem papas da língua, a vilã que não mede esforços para conseguir o quer, é a mulher de bandido que por amor entra para o sombrio mundo do crime, enfim, são dramas que estamos acostumados a ver em nosso dia, e por isso a novela é sucesso, porque quem assiste, se identifica com aquilo que a trama está tentando passar. 

Historicamente, as novelas de Glória Perez sempre teve um papel social muito importante na sociedade brasileira, abordando temas como uso de drogas (O Clone), a imigração ilegal (América), a esquizofrenia (Caminho das Índias) e o tráfico de pessoas (Salve Jorge), agora paralelo a uma história bem escrita, bem amarrada, a autora irá passar o seu recado sobre os transgêneros, de uma forma sutil, respeitosa e educada, sem fazer nenhum tipo de militância (que em minha opinião não ajuda em nada a causa), e mostrando como é a vida e realidade dessas pessoas.

Entre “Amor à Vida” e “A Força do Querer”, muitas coisas aconteceram, muitas novelas foram exibidas, mas nenhuma alcançou o brasileiro como a trama atual de Glória Perez, e olha que teve de tudo, militância LGBT, novelas sem pé nem cabeça, tramas que não acontecia nada, máfia e inovação tecnológica, tramas macabras em volta de um rio, enfim, houve de tudo, mas nada trouxe de volta a audiência do horário. 

Eis que surge Glória Perez, com uma novela simples, com um elenco primoroso, um texto afiado, uma direção segura, e com uma boa história para contar, que o horário finalmente deslancha, e isso sem precisar apelar para cenas de sexo, sem precisar inventar nenhum método novo de gravação, apenas fazendo um folhetim como ele deve ser e como estamos acostumados a ver. A frase é antiga, usei em 2013 para falar de Salve Jorge, mas irei repetir agora: SALVE GLÓRIA! 

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